sexta-feira, 23 de agosto de 2013

FILHO DO VENTO - Roberval Paulo

Não há o que nos espera que não seja o anoitecer
O anoitecer que escurece o sonho que não se fez
Um anoitecer de morte que o calor da vida esfria
Eu sou refém da poesia
Não quero ser este fim em mim plantado na pele
Na matéria que de terra é o fim e seu começo
Ser clandestino no berço, cada vivente em seu tempo
Sou eu o filho do vento, só termino com a manhã

E se a manhã começa, sou eu também o começo
A origem que do fim, foi em mim que iniciou
A Fênix, que ao morrer, nem sabia ser eterna
A onda que transportava o mar do meu desamor
Fui a roda e rodando, rodei o meu existir
Na direção de um verso que eu sabia ser reverso
O verbo que em si é começo e fim eternos
Sou eu o clarão da vida. Sou eu o lobo de mim.


Roberval Paulo

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