segunda-feira, 25 de novembro de 2019

SE INDO - Roberval Paulo


A porta aberta
Eu inteiro fechado
A luz acesa
Eu apagado

O sonho ainda morto
A morte jazz viva
O abismo subindo
O céu na descida

Roberval Paulo


CAMINHOS - Roberval Paulo


Nessa estrada triste
Um sonho triste
Um homem triste
                        a caminhar...

Buscando alegria
Sonhando a poesia
DEUS do céu um dia
                        vai lhe abraçar

De tão alegre ele se viu triste
E sorriu quando devia chorar.


Roberval Paulo

SEMPRE SE MORRE AMANHÃ - Roberval Paulo


A vida tem dessas coisas                                           
Dessas coisas que não se entende
Porque da vida, porque da morte
Porquê disso, porquê daquilo
Por quê? Por que? Porque?

É tanta coisa pra se saber
que até é melhor não saber
Se sabendo ou não sabendo
Vamos indo a morrer
é tudo que eu sei

Sei que nasce o sol todo dia
A noite é da lua, Ave Maria!
Mas amanhã vou-me embora
Sempre se morre amanhã

Aquele passarinho que canta
Porquê? Há! Não sei
O gato pulou
O canto cessou
Porquê?
Não me perguntem

Não sei... Não sei... Não sei...
Quem saberá?
A terra suspensa no ar
No espaço, sem cordas
não cai

A força da gravidade
A falta de gravidade
Também não tem cordas
Mas, e daí? Estou ficando é maluco
Porquê se fica maluco?
Também não sei

Não sei... Não sei... Não sei...
O homem ganha a vida
A vende depois para a morte
Nada era antes
Do nada à vida

Ganhou um nome
E agora? Agora ele tem um nome
E depois? Ele morre

Não vou dizer o porque
Simplesmente por não saber

O céu é azul
Azul é a cor do infinito
DEUS mora no infinito
Pensei que lá fosse o céu

Se é... Se não é...
Não sei... Mais sei...
Que amanhã vou-me embora
Sempre se morre amanhã

É que a vida tem dessas coisas
Dessas coisas que não se entende
Um pobre... Um rico... Um homem...
Um morre, outro morre, o outro também morre

É tanta coisa pra se saber
Que até é melhor não saber
Mas amanhã vou-me embora
E nada levarei comigo

O sol, o pássaro, o homem
A terra, a lua, o universo
A vida em prosa e verso
O vento, o tempo sem fim

Porque? Porquê? Pra quê?
Não sei, nem quero saber
Sempre se morre amanhã.


Roberval Paulo

MINHA HISTÓRIA DE NÓS DOIS - Roberval Paulo


                                    E as flores sangravam...

A casa
A porta
Tu, lá dentro!
Eu, cá fora!
Diálogo suspeito
Olhadelas pros lados
Inquietos
Sentíamos-nos mal

Eu queria entrar
Ah! Como eu queria
Tu querias que eu entrasse
Mas, as circunstâncias!
As circunstâncias não permitiam
Acima de tudo
A honra
A dignidade
Nos amávamos, era certo
Desde longínquos tempos
Tudo contra
Todos contra
O mundo contra
Amor proibido

Coisas do destino
Casastes com outro
Imposição da vida
Na vida de outros
Muitos felizes
Tu, infeliz
Eu, infeliz
José feliz
Teu marido
Só felicidade
Casou com quem bem quis

A casa
A porta
Tu, de dentro
Eu, de fora
Fim de um sonhar
— Já é hora — digo.
Desejos suprimidos
Palavras entrecortadas
Destino ingrato
— Vou-me embora!
Tinha que ir
Não conseguia arredar pé
Força estranha me prendia
Misteriosa
Superior à minha deliberação

De lá, tu olhavas
Um que de morto e triste
Desfilava em teu rosto
Olhos nos olhos
Lamentávamos
Tão mesquinha sorte
Tão malfadado desfecho

Precisavas entrar
Tu tinhas que entrar
A razão dizia
Não pegava bem
Mulher casada
A esta hora, na porta
De “conversê” com homem
As más línguas
Deus que me livre
O pudor
Nossos princípios
Nossos valores
Nosso caráter em cheque
Nossa honra
Tínhamos honra!
E quanta honra!
Não fosse essa tal... já via
Mas, precisava ser assim
Difícil sufocar
Tão nobre sentimento
Tão verdadeiro amor
Tão gostoso estar junto

— Adeus!
— Adeus!
— Preciso ir!
— Ainda é cedo.
Frases secas
Ditas com tanta dor
Impossível doer tanto
Mas doía
Mais que ferida de faca
Mais que atropelamento de alma
Ainda mais que ingratidão de filho
— É tarde, bem tarde
— Ih! Preciso entrar
— Ah, sim! Agora eu vou
— Afazeres domésticos, sabe como é
— Entendo, até uma próxima
— Não deve haver próxima
— Eu sei. Sofrimento demais né?
— É! Não dá pra aguentar
— Melhor não seria a morte?
— Morrer não mata tanto amor.

Lágrimas
De dentro e de fora
Da porta
Da casa
— Vou-me embora
— Tá, vai
— Não volto!
— Não volte!
— E esse tanto amor?
— Amaremos sempre. Distantes
— E felicidade?
— Não a teremos
— Eu vou então
— Vai, pelo amor de Deus
— Adeus!
— Adeus!

Tarde demais
José chegava
Cumprimentos
Frios e distantes
Pegos de surpresa
Nas confidências do amor
Difícil disfarçar
Coração é coração
— Como vai José? Eu já estava de saída — digo.
— É, ele já estava saindo. Tenho que olhar o feijão — ela diz.

José olhava-nos, estava sisudo
Já desconfiava
Do sentimento existente
Sim, pois outra coisa não havia
Tínhamos nossos valores
Traição, nunca
Não estava em nós
Traíamos o próprio coração
Sofreríamos calados
Para todo o sempre
Sufocando à força
De lágrimas ocultas
Esse amor proibido
Pela conveniência
Contra os interesses
Da fina flor
Da raça humana

Mas, José também sofria
Não de amor como nós
Da falta de amor
Do amar sem ser amado.
Olhares frios
O amar demais, proibido, sem ser
O não amar, sendo
Desencadeou tudo
Discussão
Acusações
Explicações
Tudo fora de controle
Coisas de sentimento
Gritos!
Gritos de José
Gritou comigo
— Tudo bem, vou-me embora. Adeus!
— Adeus!
Gritou contigo
Doeu em mim
Acusou-te do que não fez
Feriu-me fundo
Bem além do sentimento de corpo
Ainda além do sentimento de alma
Num sentimento que eu não sabia existir
Tão distante está deste mundo
Era o nosso sentimento
Nosso amor era assim
Transcendia
Ia além do extremo
Tão maior
Tão superior
Que não era possível em terra
Não podia ser maculado
Acusações levianas
Infundadas
Revestidas de ciúme
Desprovidas de razão.

Revidei à ofensa que sofrestes
Sem merecer
Chamei-o às falas
Não se conteve
Sacou da arma
Em defesa, atirei
Um tiro só
José, morto.
Sem alternativas, fugi
Vida de fugitivo é barra
Nessas circunstâncias
Cadeia é pior
Você, ali
Desamparada
Ficastes só.

Nunca voltei
Sei que nunca casastes
Leva flores a José
Não por amor
Sente-se culpada
Não tens culpa
Não temos culpa
Aconteceu
Lamentável, não devia
Mas aconteceu
Pelo amor proibido
Promovido por aqueles
Que não se permitem
Simplesmente amar
Que não se permitem
O amor só pelo amor

Somos assim
Amamos o amor só pelo amor
Amor impossível
Nesse mundo tão materialista
Amaremos sempre
Eu sei. Tu sabes.
Até que dure a eternidade
Mas, pelas circunstâncias
Separados estamos
E assim, haveremos de estar
Separados.

Amor tão grande assim
Não se permite em terra
Nessa vida de carne
Simplória vida de carne e lama
Haveremos de nos encontrar em um outro mundo
Haveremos de nos encontrar sim
— Para amor total!
— Para amor total!
— O amor só pelo amor
— O amor só pelo amor
— Assim, como te amo!
— Assim, como te amo!
— Adeus!
— Adeus!


Roberval Paulo

FLOR, VENTO E BEIJA-FLOR - Roberval Paulo


Por amor feristes
Este meu coração
E sem mais ter razão
Vi-me no vazio
E na dor da paixão
As lágrimas rolaram
E se precipitaram
Formando um rio
E olhando esse rio
Presenciei uma cena
Que me causou espanto
E muita emoção
Uma flor se abriu
Fez figa e se fechou
Pro seu beija-flor
Que a esvoaçou
E só vendo os espinhos
Ficou tão tristinho
E bem longe sumiu

E voou o beija-flor
Sem a sua flor
Viu-se tão sozinho
Saiu do caminho
E se espatifou
Nas pedras do chão
E em lamentação
Pobre colibri
Ali sucumbiu
E ali ficou
Jogado às traças
Em sua desgraça
Abraçando a sorte
E o vento do norte
Passando lhe viu
E lhe indagou
Quê que foi beija-flor?
E ele respondeu
Minha flor não sorriu

Para mim se fechou
E sem o seu olor
Meu sonho morreu
E o vento sofreu
E se apiedou
E soprando chegou
Onde a flor dormia
E disse flor do dia
Flor da noite, flor do tempo,
Eu sou o Deus vento
Levo ar a todo ser
E venho soprar a você
Que o beija-flor está sofrendo
Sem seu beijo está morrendo
É só pena o coitadinho
Não é nem beija, nem flor
Venho pedir-te um favor
Se abra a esse bichinho
Que só tem pra ti carinhos

E leva a vida a adejar-te
Só te fazendo carinho
E sem ti está sozinho
Está sem razão de ser
É certo que vai morrer
Não deixe que isso aconteça
Vai me doer na cabeça
E posso não mais soprar
E sem meu sopro, o mundo
Não pode mais respirar
E tu também vais morrer
E as vidas vão se acabar
E eu vou ficar sozinho
Perdido e sem carinho
Sem movimento, então morro
Tudo em nada vai virar.
E a flor, compadecida
Viu o mal que tinha feito
Chorou muito e com efeito
Abriu-se em um lindo sorriso

E a última lágrima, rolando
Foi levada pelo vento
Qual gota de cristal líquido
No beija-flor foi batendo
E ele logo, renascendo
À flor um beijo ofertou
E agradeceu ao vento
Que sorrindo se afastou
E de tanta emoção
Chorava que soluçou
E soprou brisa no mundo
Nos quatro cantos caiu
O campo todo floriu
E tudo verde ficou
Flor e Beija-flor sorriram
E o vento a mim chegou
E me vendo acabrunhado
Envolveu-me em doce beijo
Que minha face corou

E foi logo perguntando
O que tinha acontecido
Contei-lhe entristecido
O meu amor me deixou
E ele disse, já resolvo
Não precisas mais chorar
Antes que este sol se vá
Teu amor eu trago aqui
E saiu a te buscar
E eu fiquei esperando
Pensando que era o fim
E o vento me trouxe à vida
Achando minha flor perdida
Lá pelas bandas do mar
E nos ensinando a amar
Trouxe-a de volta pra mim
E aqui estamos nós
Dois seres e uma só voz
Sorrindo, juntos enfim.


Roberval Paulo

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

DESPEDIDA! - Roberval Paulo


Queria eu nunca me despedir
Queria só sair e ir em frente
Sem olhar para trás
Sair despercebido
E quando se percebesse indo
Já estivesse distante
Longe dos olhos tristes
De quem ficou para trás

De quem ficou só
E só, me fez mais sozinho
Quase um abandonado
Esquecido numa curva do caminho
Um retirante sem pátria e sem chão
Sem lugar nessa imensidão de céu e mar
Tão só que mais pareço um zumbi
Vagando sem sol e na sombra
De uma lembrança que dói nos ossos e na alma

Minha alma chora
Meu peito arde
Minha cor se faz mortificada
Desbotada em tom de apagada e triste

Queria eu nunca me despedir
Despeço-me como se eu que fosse
Olho mãe e irmãos, todos mortalhas vivas
A dor que não se descreve tão absurda que é
Olhos fitos no nada a contemplar o além

Olho mais uma vez e o retrovisor é só dor
A vida alegre que eras agora disforme e inerte
O seu vivo e feliz sorriso ainda vive em mim
A sua voz dizendo me amar
Meu irmão e pai, você me dizia sempre
E eu te amo demais, não dá pra aguentar.

Mãe e irmãos
A vida nos deixou na encruzilhada
O partir antes do tempo não se explica
É um nó na equação do existir
Como seguir se não encontro o caminho?
Como ir em frente se só de abismo fez-se o horizonte?

Mas... acho que sim
Acho que no fim do túnel ainda existe a luz
E é só por essa luz que insisto em caminhar
A luz da vida que mesmo apagada brilha
A luz da vida que há de brilhar eternamente
Mesmo quando a vida, estagiando, fez-se morte

Uma estrela a mais no céu
Um ser doce a adocicar a eternidade
Uma luz nova em novo alvorecer
Pintando de luz e cores o seu novo despertar
O despertar do eterno em vida de luz e flores
Tempo sem horas e sem dores, de prazer e pleno de amor

Mãe e irmãos, resignemo-nos
Pelo acreditar e pela fé no Criador
Pelo fardo nos dado e tragado
Pelo cálice derramado mais sorvido
Pela dor que trespassou em um tanto doer
Que indolor se tornou e agora fermenta e fomenta
O nosso amor que não morre
E que nas chagas de Cristo Jesus
Chaga essa dor e a faz em amor

Descanse em paz meu amor
Descanse junto ao Criador
E na vastidão do universo
Na retórica do tempo inverso
Olhe por nós
Por nós que ainda não tragamos de todo
A sua partida
Por nós que ainda vamos a carregar a cruz
A cruz que em nós se agigantou
Com a passagem da sua terrena vida
Mas que nessa triste despedida
Fez-se na cruz do próprio Salvador
A cruz de Cristo que alinha
Que simboliza e orienta a vida

Resignemo-nos todos
E façamos deste evento sem explicação
A razão para ainda mais nos amarmos
A razão para mais acreditarmos
No Deus que deu sabedoria a Salomão
No Deus que a Lázaro tornou a vida
E que agora nos trouxe à provação
Fez-nos em pedaços para edificarmo-nos
Edificar-nos-emos todos, mesmo na dor
Com união, amor e Deus no coração.

Roberval Paulo

DESPEDIDA! - Roberval Paulo


Queria eu nunca me despedir
Queria só sair e ir em frente
Sem olhar para trás
Sair despercebido
E quando se percebesse indo
Já estivesse distante
Longe dos olhos tristes
De quem ficou para trás

De quem ficou só
E só, me fez mais sozinho
Quase um abandonado
Esquecido numa curva do caminho
Um retirante sem pátria e sem chão
Sem lugar nessa imensidão de céu e mar
Tão só que mais pareço um zumbi
Vagando sem sol e na sombra
De uma lembrança que dói na alma e nos ossos

Minha alma chora
Meu peito arde
Minha cor se faz mortificada
Desbotada em tom de apagada e triste

Queria eu nunca me despedir
Despeço-me como se eu que fosse
Olho mãe e irmãos, todos mortalhas vivas
A dor que não se descreve tão absurda que é
Olhos fitos no nada a contemplar o além

Olho mais uma vez e o retrovisor é só sangue
A vida alegre que eras agora disforme e inerte
O seu vivo e feliz sorriso ainda vive em mim
A sua voz dizendo me amar
Meu irmão e pai, você me dizia sempre
E eu te amo demais, não dá pra aguentar.

Mãe e irmãos
A vida nos deixou na encruzilhada
O partir antes do tempo não se explica
É um nó na equação do existir
Como seguir se não encontro o caminho?
Como ir em frente se só de abismo fez-se o horizonte?

Mas... acho que sim
Acho que no fim do túnel ainda existe a luz
E é só por essa luz que insisto em caminhar
A luz da vida que mesmo apagada brilha
A luz da vida que há de brilhar eternamente
Mesmo quando a vida, estagiando, fez-se morte

Uma estrela a mais no céu
Um ser doce a adocicar a eternidade
Uma luz nova em novo alvorecer
Pintando de luz e cores o seu novo despertar
O despertar do eterno em vida de luz e flores
Tempo sem horas e sem dores, de prazer e pleno de amor

Mãe e irmãos, resignemo-nos
Pelo acreditar e pela fé no Criador
Pelo fardo nos dado e tragado
Pelo cálice derramado mais sorvido
Pela dor que trespassou em um tanto doer
Que indolor se tornou e agora fermenta e fomenta
O nosso amor que não morre
E que nas chagas de Cristo Jesus
Chaga essa dor e a faz em amor

Descanse em paz meu amor
Descanse junto ao Criador
E na vastidão do universo
Na retórica do tempo inverso
Olhe por nós
Por nós que ainda não tragamos de todo
A sua partida
Por nós que ainda vamos a carregar a cruz
A cruz que em nós se agigantou
Com a passagem da sua terrena vida
Mas que nessa triste despedida
Fez-se na cruz do próprio Salvador
A cruz de Cristo que alinha
Que simboliza e orienta a vida

Resignemo-nos todos
E façamos deste evento sem explicação
A razão para ainda mais nos amarmos
A razão para mais acreditarmos
No Deus que deu sabedoria a Salomão
No Deus que a Lázaro tornou a vida
E que agora nos trouxe à provação
Fez-nos em pedaços para edificarmo-nos
Edificar-nos-emos todos e em tempo
Com união, amor e Deus no coração.

Roberval Paulo

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

POEMA DO GRANDE AMOR - Roberval Paulo


Quão bom seria se todos os casais tivessem
Paz.
A paz tão sonhada da mulher, do homem,
de quem ama.
A paz do amor livre,
regada em doses de compreensão e entrega.
Duas partes a formar um todo.

A taça repleta de vinho
a adocicar o paladar
no estalar da língua
e no gotejar das minas do pensamento.
Nascente inesgotável de água para a vida.

Água virgem
Véo natural do tempo
Sangue do mundo
A escorrer pela terra e para a terra
Clara e transparente como o amor.

O amor
Esse pode tudo
E é por ele que se vive
Se justifica por si só
Se qualifica por só ser
Sem acessórios, sem adereços
Sem complementos, sem endereço.

O amor só pelo amor
Completo em si
Transcendente, sem materialismos
Espírito de luz e cor
Alma e corpo em luta de amar.

Um sonhar de dois
Olhos falando segredos
Gestos dissimulados,
a dizer tudo
sem pronunciar palavra.

O amor tudo entende
Sua chama nunca apaga
Também nunca queima
Nem dói.
Dói. Mais sem doer.

É como disse o poeta:
         AMOR....    é fogo que arde sem se ver
                            é ferida que dói e não se sente
                            é um contentamento descontente
                            é dor que desatina sem doer.

Parafraseando o poeta:
         O AMOR... se auto flagela
                            se auto ajuda
                            por si só se cura

                            se vencido, é vencedor
                            se no abismo, o mesmo amor
                            pelo amor, sobe às alturas.

E enquanto não chega o imprevisível
tempo
de partir para o innevitável,
a vida segue.
Dos dois se fará um
Nesse universo de sol e mar.

A base será sempre o amor
Cumplicidade sem culpa
Realidade em cor de criança
Beijo de pétalas a bafejar o espírito
pelo espírito.
A carne queimando em desejo
Também é amor
Ardente
Na química do dois em um.
E o um só tornará em dois
Quando vencida a fronteira do desconhecido
Em busca dos jardins dos céus
Na eternidade do tempo sem horas.

É o novo tempo
A continuidade desconhecida da existência
A nova vida
Do divino amor.

Para trás, tudo
Menos o amor
Está no ser
E o ser é o espírito
E é tudo o que resta
         O espírito que é amor
         O amor que é espírito.


Roberval Paulo